Michel Foucault, para desenvolver seu pensamento a respeito do “Poder” na sociedade contemporânea parte da obra de Nietzsche, que analisa a vida como um processo pautado pela vontade de potência (ação e reação, expansão e retração). E é partindo desse pressuposto da vontade de poder de Nietzsche, que o filósofo cria seus conceitos.
Foucault analisa a sociedade contemporânea a partir de uma rede microfísica de poderes, que ultrapassa a simples conduta de que o poder esta contido no Estado soberano. Para ele, seria uma espécie de divisão de poderes contidos em diferentes instituições, ou seja, tanto a família, escola, o trabalho, a religião, moral possuem particularidades, portanto, contem seus próprios poderes. O que significa dizer que em cada instituição há certo sistema que define uma relação interna. Por exemplo, a religião fundamenta-se numa hierarquia em que há o devoto, que pode ser tanto um pagão, quanto aquele que prega os ensinamentos do soberano (Deus), assim seguindo uma conduta religiosa. Na família, têm-se os pais como superiores aos filhos, e acima deles os avôs, e por aí vai, ensinando-os a partir de uma conduta hereditária no caso. Já na escola seriam os professores que exercem seu poder sobre os alunos, que os respeitam, de modo que sua superioridade esta explicita na conduta escolar. No trabalho, o poder esta na relação entre o trabalhador, proletário e o dono, o qual sustenta seu poder, pois é ele quem dispõe o salário para seus funcionários. Todas essas instituições realizam sua sistemática através de um poder disciplinar, o qual se fundamenta na positividade, ou seja, em ordens específicas e elementares, são elas: Tempo (horas específicas); Espaço (geograficamente definida); Vigilância (observação e a ordem); Saber (aprender com a vigilância e aprimorar o exercício de poder).
Contudo, essa questão do poder no trabalho, para Foucault, é peculiar, pois no trabalho, forma-se o indivíduo manso, o qual é trabalhador e consumidor, e por essa razão, torna-se possível a legitimação da ordem capitalista. Molda-se no conceito de Nietzsche do Niilismo, um processo no qual os valores perdem seu valor, mas sem deixar de existir, e que se compõe em basicamente dois momentos particulares: o Desencantamento do Mundo, o qual ocorreu à desvalorização da moralidade religiosa como absoluta; o Desencantamento da Ciência, o qual ocorreu à desvalorização da ciência como absoluta. De modo que se destrói a sociedade disciplinar e cria-se a necessidade de outra forma de poder que organize a sociedade: o Biopoder, em que, como já foi retratado anteriormente, o indivíduo forma-se manso.
Portanto, forma-se um mundo dependente, controlado, o qual fomenta uma sociedade de controle, cujos trabalhadores passam a serem colaboradores, num ideal de cumplicidade entre o proletário e o dono, mascarando-se no exercício de cidadania, o qual elimina as possibilidades de contestação, fundamentando-se num abrangente de aceitação e subserviência por parte do submisso. De modo que o Estado se sustenta da cumplicidade com os micropoderes, num processo em que permite ao trabalhador o exercício de consumir, e, portanto se sentir presente e parte da sociedade, sociedade esta em que o individuo eleito é aquele que produz e consome.
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